CETEP de Alagoinhas

CETEP de Alagoinhas

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Continuação do Histórico sobre a Educação Profissional




(Quarta parte)
Em âmbito nacional, nota-se também uma preocupação com a formação profissional, como bem demonstra o programa educacional contido no Manifesto de 32, escrito por Fernando Azevedo e assinado por numerosos educadores. Lê-se no seu artigo II:
  
Organização da escola secundária (12 a 18 anos)(...) tendo, sobre a base de uma cultura geral comum (3 anos) as seções de especialização para as atividades de preferência intelectual (humanidades e ciências) ou de preferência manual e mecânica (cursos de caráter técnico). (RIBEIRO, 1982, p. 102)

No período de 1932-1936 houve um crescimento significativo das unidades escolares de ensino secundário direcionadas ao ensino técnico-profissional, dedicadas aos estudos de iniciação e preparação ao trabalho.

A constituição de 1937, ao tratar da educação, procura enfatizar o trabalho manual. No art. 128 dá providências ao programa de política escolar em termos de ensino pré-vocacional e profissional que se destina, segundo o seu art. 129 “(...) às classes menos favorecidas e é, em matéria de educação, o primeiro dever do Estado.” (RIBEIRO, op. cit., p.120).

A análise desses artigos nos permite concluir que naquele momento já existia, na sociedade brasileira, uma “(...) orientação político-educacional (...) de preparação de um maior contingente de mão-de-obra para as novas funções abertas pelo mercado.” (RIBEIRO, op. cit., p.120).

Em 15 de março de 1941 a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro1 criou a Escola Profissional Ferroviária de Alagoinhas. As escolas criadas pelas Estradas de ferro Administradas pela União tiveram o regulamento dos seus curros de Formação e Aperfeiçoamento publicado no Diário Oficial de 24.06.43, e dentre outras disposições, estabelece que a instrução se comporá de duas partes: I - Ensino teórico e prática Educativa; II - Aprendizagem de Ofícios (art. 4º) e pagamento aos alunos (art. 19º).

Em 1942 foi decretada a reforma Capanema, que tratou também do ensino técnico-industrial. O

(...) ensino industrial, de grau médio, (...) estava1 classificado em dois ciclos. O primeiro, com 4 anos – são os cursos industriais básicos, nas escolas industriais, e que formam artífices especializados –, e o segundo, com 3 anos, nas escolas técnicas – são os cursos técnicos –, para a formação de técnicos especializados. Previa, também, os cursos de mestria, de 2 anos, e estágio correspondente aos cursos industriais básicos e cursos pedagógicos na indústria, de um ano, para o preparo de professores e administradores. Estabeleceu, ainda, a denominação de escolas artesanais às escolas mantidas pelos estados. (RIBEIRO, op. cit., p.136-137)


Ainda nesta fase, o avanço do capitalismo e da industrialização proporcionou a criação, pelas Empresas, de Instituições de Formação Profissional. Tinham elas o objetivo de efetivar programas de aprendizagem, baseados em estudos das várias ocupações do comércio e da indústria e programas para formação de mão-de-obra técnica.

Neste mesmo período,
 desenvolvem-se também, programas de formação de mão-de-obra qualificada dentro das empresas, em escolas ou Centros de Treinamento próprios, em alguns casos legalmente articulados com os programas de cursos das redes escolares oficiais. (PONTUAL, 1980, p.7)

Na década de 40 (do século XX) o país encontrava-se num período de grande desenvolvimento industrial pois havia um crescimento e diversificação da indústria, com consequente necessidade de mão-de-obra qualificada. Além disso a 2ª Guerra Mundial comprometia a importação de técnicos estrangeiros e obrigava o país a produzir os bens que a indústria estrangeira, com seus esforços quase que totalmente direcionados para a produção bélica, estava impedida de fornecer. Os cursos existentes no país não estavam atendendo a demanda. Outrossim, o sistema de aprendizagem remunerada adotado anteriormente pelas empresas ferroviárias havia-se revelado exitoso. A necessidade de uma solução nacional para o problema tornou-se evidente.

Embora percebamos uma preocupação e a existência da formação profissional, em diferentes níveis e modalidades, desde os primórdios do sistema educacional brasileiro, ela só foi instituída legalmente em 1942, através do Decreto-lei Nº 4.048, de 22 de janeiro daquele ano, que criou o Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários – SENAI (que depois passou a denominar-se Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, ainda em 1942, através do art. 1º do decreto Lei Nº 4.936, de 07-11-42).

1 A Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro (VFFLB) foi criada em 1935 durante o governo do presidente Getúlio Vargas, pela encampação da Compagnie de Chemins de Fer Fédéraux de l'Est Brésilien (CCFFEB), empresa de capital franco-belga que explorava as principais linhas férreas do Estado da Bahia. O primeiro trecho de ferrovia partindo da cidade de Salvador foi construído em 1860, chegando até Alagoinhas três anos depois. Posteriormente este trecho avançou até a cidade de Propriá, em Sergipe. Outros trechos também foram construídos, como o que ligou Alagoinhas a Juazeiro-BA e os seguintes: Linha do Sul (Mapele-Monte Azul); Linha Centro-Sul (Senhor do Bonfim-Iaçu); Ramal de Itaité (Queimadinhas-Itaité); Ramal de Feira de Santana (Conc. de Feira-F. de Santana); Ramal de Catuiçara (Buranhem-Catuiçara); Ramal de Capela (Murta-Capela); Ramal de Campo Formoso (Itinga-Campo Formoso).

2  O verbo estar foi deliberadamente alterado para a forma do pretérito imperfeito para promover a concordância necessária à coerência do texto.


REFERÊNCIAS

IGLÉSIAS, Francisco. A Industrialização Brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1985.

IGLÉSIAS, Francisco. A Revolução Industrial. São Paulo: Brasiliense, 1987.

OLIVEIRA, Carlos Roberto de. História do Trabalho. São Paulo: Ática, 1987.

PONTUAL, Marcos. Evolução do Treinamento Empresarial. In: BOOG, Gustavo Gruneberg (Coord). Manual de Treinamento e Desenvolvimento. São Paulo: McGraw Hill, 1980, p.1-12.

RIBEIRO, Maria Luísa Santos. História da Educação Brasileira: a organização escolar. São Paulo: Moraes, 1982.

ROSSI, Wagner Gonçalves. Capitalismo e Educação. São Paulo: Moraes, 1980.

SILVA, João Baptista Salles da. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: atividades na área de formação profissional. In: BOOG, Gustavo Gruneberg (Coord). Manual de Treinamento e Desenvolvimento. São Paulo: McGraw Hill, 1980, p.358-376.

SILVA, Uaci Edvaldo Matias da. O Senai. Brasília: SENAI/DN, 1999.


                                                                               (Texto produzido por Sydney Lima Silva)

(Fim da quarta parte. Continua nos próximos episódios)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Visita do MEC e da SUPROF













No mês de maio o nosso CETEP recebeu representante do MEC, acompanhada de integrantes da SUPROF, em visita de acompanhamento a nossas atividades educativas e verificação das instalações da escola.

O que é mesmo Educação Profissional?



Segundo a LDB 9.394/96, a Educação Profissional é aquela que “(…) integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.”

Eixos Tecnológicos





Eixo Tecnológico é um mecanismo de caracterização, definido pelo MEC, resultante do agrupamento de cursos técnicos conforme suas características científicas e tecnológicas. Como resultado deste agrupamento foram definidos 12 Eixos Tecnológicos que somam ao todo 185 possibilidades de oferta de Cursos Técnicos. Publicados no CNCT (Catálogo Nacional de Cursos Técnicos), os Eixos Tecnológicos e Cursos apresentam denominações que deverão ser adotadas nacionalmente para cada perfil de formação.

Pode ser entendido também como a linha central de estruturação de um curso, definida por uma matriz tecnológica, que dá a direção para o seu projeto pedagógico e que perpassa transversalmente a organização curricular do curso, dando-lhe identidade e sustentáculo. Trata-se de uma nova proposta de organização da educação profissional e tecnológica, em substituição às 21 áreas profissionais anteriores.
A legislação pertinente sobre os Eixos Tecnológicos e o CNCT é a seguinte: Portaria MEC nº 870, de 16/07/2008; Resolução CNE/CEB nº 03/2008, de 09/07/2008; e, Parecer CNE/CEB nº 11/2008, de 12/06/2008.

Parcer CNE/CEB 16/99;Resolução CNE/CEB 04/9; e, Resolução CNE/CEB 03/08





http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13031:legislacao-basica-tecnico-de-nivel-medio&catid=323:orgaos-vinculados


O Parecer 16/99 e a Resolução 04/99 do CNE/CEB são importantes documentos de leitura essencial para quem busca compreender a educação profissional no Brasil.

Neles estão incluídos o anexo que trata das áreas profissionais, porém alertamos que  RESOLUÇÃO Nº 3, DE 9 DE JULHO DE 2008 (que dispõe sobre a instituição e implantação do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio) revogou o artigo 5º e os quadros anexos à Resolução CNE/CEB no 4/99, mantendo seus demais dispositivos, com as alterações constantes da Resolução CNE/CEB nº 1/2005, em obediência ao Decreto no 5.154/2004.
Portanto, a caracterização dos cursos técnicos por áreas profissionais foi substituída por outra (EIXOS TECNOLÓGICOS) mais atualizada com a edição do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.

Vejam também a RESOLUÇÃO Nº 3, DE 9 DE JULHO DE 2008.

Continuação do Histórico sobre a Educação Profissional

(Terceira parte)

A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL
No Brasil já vamos encontrar referências a educação profissional no Plano de Estudo do Padre Manoel da Nóbrega, na fase jesuítica da escolarização colonial. Tratava-se de algo que podemos caracterizar como um processo ainda embrionário de formação profissional pois além do mesmo ser realizado no próprio ambiente do trabalho, a 
 
(...) educação profissional (trabalho manual), sempre muito elementar diante das técnicas rudimentares de trabalho, era conseguida através do convívio, no ambiente de trabalho, quer de índios, negros ou mestiços que formavam a maioria da população colonial. (RIBEIRO, 1982, p.29)


Encontramos aí um aspecto da educação profissional que merece uma avaliação posterior: o lugar social de onde provêm os indivíduos que se submetem a este tipo de ensino e a posição que ocupam na sociedade após concluída tal etapa de estudos.

Outro registro de formação profissional no Brasil é encontrado no distante ano de 1874, “quando o presidente da província de Pernambuco (o equivalente hoje a governador) Henrique Pereira de Lucena obrigou os estabelecimentos fabris a se encarregarem do preparo do seu pessoal” (SILVA, 1999, p.15)

Já a RFFSA1 atribui ao Centro de Formação Profissional de Engenho de Dentro – ex-escola prática de aprendizes localizada no Rio de Janeiro – o pioneirismo da formação profissional no Brasil. A mesma foi criada pelo subdiretor da Locomoção da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil Engenheiro José Joaquim Silva Freire através de documento datado de 15 de fevereiro de 1906.

Em 1909 vamos encontrar “a criação da rede de escolas de aprendizes de ofícios (...) pelo então Presidente da República Nilo Peçanha.” (SILVA, op. cit., p.15)

As preocupações das empresas ferroviárias quanto à formação profissional traduziram-se em algumas ações importantes. Na década de 20 as principais ferrovias do Estado de São Paulo – São Paulo Railway, Estrada de Ferro Sorocabana, Companhia Paulista e Companhia Mogiana – passaram a enviar, cada uma, dois alunos por ano para frequentar um curso de mecânica prática, com duração de 4 anos, após o mesmo ter sido ampliado na Escola Profissional de Mecânica, anexa ao Liceu de Artes e Ofícios.

As ferrovias, por disporem de oficinas de reparação e manutenção de suas locomotivas e vagões necessitavam de mão-de-obra adequada para a fabricação e reparação de peças. Foi dentro desse contexto de necessidade que em 1930 foi criada a Escola Profissional de Sorocabana, na Estrada de Ferro Sorocabana, em São Paulo. Posteriormente foi criado o Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional (CFESP), como entidade central, mantida pelas empresas ferroviárias para prestar apoio a esta atividade. Foi tomando como base a experiência do CFESP que foi defendida a criação do serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI – como idêntica solução da formação profissional para a indústria brasileira.

1 A RFFSA (Rede Ferroviária Federal SA) era uma Empresa de Economia Mista integrante da Administração Indireta do Governo Federal, destinada ao transporte ferroviário. Teve sua constituição autorizada pela Lei nº. 3.115, de março de 1957, e aprovados os seus Estatutos pelos Decretos ns. 42.380 e 42.381 de 30 de setembro de 1957, data que passou a ser considerada como de sua fundação. Foi privatizada no período de 1996 a 1998 e dissolvida no ano de 1999 mediante o estabelecido no Decreto nº 3.277, de 7 de dezembro de 1999, alterado pelo Decreto nº 4.109, de 30 de janeiro de 2002, pelo Decreto nº 4.839, de 12 de setembro de 2003, e pelo Decreto nº 5.103, de 11 de junho de 2004. 

REFERÊNCIAS

RIBEIRO, Maria Luísa Santos. História da Educação Brasileira: a organização escolar. São Paulo: Moraes, 1982.

SILVA, Uaci Edvaldo Matias da. O Senai. Brasília: SENAI/DN, 1999.

                                                                               (Texto produzido por Sydney Lima Silva)
(Fim da terceira parte. Continua nos próximos episódios)
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Decreto 5.154




http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5154.htm

O Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004, é importante documento que normatiza a Educação Profissional em nosso país. Trata-se de material de conhecimento obrigatório por todos aqueles que estão envolvidos com a Educação Profissional.

Acessem o link e boa leitura.